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1

 

 

UTILIZAÇÃO DA METODOLOGIA DE SUPERFÍCIE DE RESPOSTA 

PARA OBTER UMA CONCENTRAÇÃO IDEAL DE SUBSTITUIÇÃO 

DA POLPA E FARINHAS DE GABIROBA E SUBPRODUTOS DO 

PEQUI NO DESENVOLVIMENTO DE PÃES DOCES 

USE OF RESPONSE SURFACE METHODOLOGY TO OBTAIN AN

 

IDEAL 

REPLACEMENT CONCENTRATION OF GABIROBA PULP AND FLOUR AND PEQUI 

BYPRODUCTS IN SWEET BREAD PRODUCTION 

DOI: 10.24933/rep.v10i1.447 

v. 10n. 1 (2026)

 

 

CUNHA, Mariana

1

; CUNHA, Marília

2

; PEREIRA, Joelma

3

; ALVES, José Guilherme

4

VILAS BOAS, Eduardo Valério

5

 

1

Doutora em Ciência dos Alimentos da Universidade Federal de Lavras e Discente do Curso 

de Nutrição, Universidade São Francisco; Campus Itatiba;  

2

Doutora em Ciência dos Alimentos da Universidade Estadual de Campinas e Discente do 

Curso de Nutrição, Universidade São Francisco; Campus Itatiba,  

3

Professora Doutora do Curso de Ciência dos Alimentos da Universidade Federal de Lavras; 

4,5

Professor Doutor do Curso de Ciência dos Alimentos da Universidade Federal de Lavras.

 

mariana.crivelari@mail.usf.edu.br 

RESUMO

.  Neste estudo, parte dos ingredientes utilizados no preparo de pães (farinha de trigo 

e água) foram substituídos por farinha de casca de pequi (FCP), farinha de polpa de gabiroba 
(FPG) e polpa de gabiroba (PG). Para isso, foram utilizados dois delineamentos experimentais, 
com duas variáveis independentes para cada delineamento. No primeiro, foi avaliado o efeito 
da substituição de parte da farinha de trigo pela farinha de casca de pequi (x

1

) e farinha de polpa 

de gabiroba (x

2

). Já o segundo, consistiu em avaliar o efeito da parte da farinha de trigo pela 

farinha de casca de pequi (x

1

) e parte da água utilizada no desenvolvimento dos pães por polpa 

de  gabiroba  (x

2

).  Para  fins  comparativos,  o  ideal  de  substituição  foi  baseado  nos  resultados 

obtidos  referentes  à  qualidade  tecnológica  avaliada  na  formulação  padrão.  As  variáveis 
dependentes  foram:  volume  de  massa;  índice  de  expansão;  volume  específico;  densidade  e 
perfil de textura (TPA). No primeiro delineamento, ambas as variáveis independentes (x

1: 

FCP 

e  x

2

:  FPG)  influenciaram  significativamente  no  volume  de  massa,  volume  específico  e 

densidade  dos  pães,  enquanto  que,  no  segundo  delineamento,  apenas  alguns  parâmetros  da 
TPA,  como  dureza  e  mastigabilidade,  foram  influenciados  pela  substituição  entre  ambas  as 
variáveis independentes (x

1

: FCP e x

2

: PG). De maneira geral, a melhor faixa de substituição 

foi obtida com a formulação utilizando entre 1,61% a 5% de farinha da casca de pequi; entre 
10% a 11,5% de farinha da polpa de gabiroba e até 20% de polpa de gabiroba.

  

 
Palavras-chave

Caryocar  brasiliense 

Camb.; 

Campomanesia  xanthocarpa 

O.  Berg; 

Tecnologia da panificação; Substituição de ingredientes; Processamento de alimentos.  

 
ABSTRACT.

 In this study, part of the ingredients used in the preparation of bread (wheat flour 

and water), were substituted by pequi husk flour (PHF), gabiroba pulp flour (GPF) and gabiroba 
pulp (GP). For this, two experimental designs were performed, with two independent variables 
for each design. First, the effect of replacing part of the wheat flour with pequi husk flour (x

1

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2

 

and gabiroba pulp flour (x

2

), was evaluated. The second consisted of evaluating the effect of 

partial substitution of the wheat flour by the pequi husk flour (x

1

) and of water by gabiroba pulp 

(x

2

) in bread formulation. For comparative purposes, the replacement ideal was based on the 

technological quality of the standard formulation. The dependent variables were: mass volume; 
expansion  index;  specific  volume;  density  and  texture  profile  (TPA).  The  first  design,  both 
independent  variables  (x

1

:  PHF  and  x

2

:  GPF)  significantly  influenced  the  dough  volume, 

specific volume and density of breads, while in the second design, only a few parameters of 
TPA,  such  as  hardness  and  chewiness,  were  influenced  by  the  substitution  between  both 
independent variables (x

1

: PHF and x

2

: GP). In general, the best replacement range was obtained 

with the formulation using between 1.61% to 5% pequi husk flour; between 10% to 11.5% of 
gabiroba pulp flour and up to 20% of gabiroba pulp.

  

 
Keywords

Caryocar  brasiliense 

Camb.; 

Campomanesia  xanthocarpa 

O.  Berg;  Bakery 

technology; Substitution of ingredient; Food processing.

 

  

 

INTRODUÇÃO 

 

  O  Cerrado  brasileiro  reúne  uma  das  maiores  biodiversidades  do  mundo  e  inclui  um 

grande  número  de  espécies  frutíferas  com  propriedades  nutricionais,  funcionais  e 
peculiaridades sensoriais (ALMEIDA et al., 2019; UEKANE et al., 2017). O bioma Cerrado é 
o segundo maior no território brasileiro, atrás apenas da floresta Amazônica  (MYERS et al., 
2000). Dentre as espécies frutíferas nativas catalogadas e que são convencionalmente chamadas 
de  “potenciais”,  destacam-se  a  gabiroba  (

Campomanesia  xanthocarpa 

O.  Berg)  e  o  pequi 

(

Caryocar brasiliense 

Camb.).  

A  gabiroba  é  um  fruto  também  conhecido  como  ‘guabiroba-do-mato’,  ‘guabiroba-

miúda’,  ‘gabirova’,  ‘guavirova’  ou  ‘guariva’  (LANDRUM,  1986).  Produzida  por  diferentes 
espécies do gênero 

Campomanesia

, família 

Myrtaceae

, caracteriza-se por ser um fruto do tipo 

baga,  globoso  e  arredondado,  de  epicarpo  liso  e  fino,  de  coloração  amarelo-esverdeada, 
constituído por uma casca fina e uma polpa amarela, envolvendo diversas sementes (ALVES 
et al., 2013). A gabiroba é apreciada por suas características sensoriais, sendo consumida fresca 
ou utilizada na produção de sorvetes, geleias e sucos. Várias pesquisas já demonstraram que o 
fruto  apresenta  elevado  potencial  nutricional  e  funcional  (ALVES  et  al.,  2013;  EMBRAPA, 
2015; MORZELLE et al., 2015; SANTOS et al., 2013; SILVA et al., 2009). 

Já  o  pequi,  popularmente  conhecido  como  “Ouro  do  Cerrado”,  é  um  fruto  da  espécie 

Caryocar  brasiliense

  Camb.,  família 

Caryocaraceae

,  constituído  pelo  exocarpo  (casca)  de 

coloração  verde-acinzentada,  mesocarpo  externo,  de  coloração  amarelo-claro,  que  juntos 
compõe cerca de 80% do fruto, além do mesocarpo interno, porção normalmente consumida, 
endocarpo espinhoso e semente. Normalmente comercializado como fruto, ao ser processado, 
visando-se  o  aproveitamento,  principalmente  do  mesocarpo  interno,  há  a  geração  de  uma 
quantidade  muito  grande  de  resíduos,  com  potencial  de  serem  aproveitados  como 
subprodutos/coprodutos, ainda pouco explorados. Alguns estudos já mostraram que o exocarpo 
e  o  mesocarpo  externo  do  pequi  apresentam  grande  potencial  funcional  e  nutricional,  no 
entanto, estas partes do fruto não são utilizadas na alimentação humana, sendo descartadas nas 
preparações culinárias (LEÃO et al., 2018; LEÃO et al., 2017).  

Gabiroba  e  pequi  apresentam  aplicabilidade  tecnológica  para  a  elaboração  de  novos 

produtos  e  podem  ser  utilizados  no  enriquecimento  nutricional  e  funcional  de  alimentos 
bastante conhecidos e consumidos, com destaque aos produtos de panificação. Dessa forma, a 
incorporação  desses  frutos,  na  forma  de  farinha  e  polpa,  em  produtos  panificáveis  pode 

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3

 

melhorar seu potencial nutricional, funcional e sensorial, como também, passa a ser uma das 
formas de difundir e ampliar o consumo desses frutos exóticos.  

O pão é um dos alimentos básicos, mais conhecidos e difundidos no mundo, considerado 

uma importante fonte calórica, embora veicule pouco mais que amido. Conforme Danza et al. 
(2014), os pães são produzidos com ingredientes simples, como farinha de trigo, sal, fermento 
e água, e apesar disso, é um dos alimentos mais consumidos no planeta. Conforme o relatório 

World: Bread and Bakery

 (2018), os países de maior consumo de pão 

per capita

 foram: Reino 

Unido (96 kg/ano), Espanha (77 kg/ano), Itália (65 kg/ano), Alemanha (65 kg/ano), Rússia (61 
kg/ano)  e  França  (52  kg/ano).  No  Brasil,  segundo  a  Associação  Brasileira  das  Indústrias  de 
Panificação (ABIP, 2018), o consumo desse alimento é de 33,5 kg/ano, abaixo do recomendado 
pela Organização Mundial da Saúde (60 kg de pão por ano).  

Pela simplicidade de elaboração e versatilidade de consumo, o pão é considerado um 

produto  adequado  para  ser  enriquecido  por  meio  de  substituições  de  ingredientes,  com  o 
propósito  de  trazer  benefícios  nutricionais  e  fornecer  apelo  referente  à  saudabilidade  ao 
consumidor. Benassi e Watanabe (1997), Mareti et al. (2010) e Rahaie et al. (2014), salientam 
que  a  substituição  parcial  da  farinha  de  trigo  por  outros  tipos  de  farinhas  é  uma  alternativa 
viável e que pode ser adequada desde que não ocasione alterações nos atributos de qualidade 
dos  produtos  elaborados.  Além  disso,  destacam  também  que  o  tipo  de  pão  produzido  e  a 
formulação influenciam no processo de substituição da farinha de trigo, uma vez que, quanto 
maior for à proporção de ingredientes complementares (açúcar, gordura, leite e ovos), maior 
será  a  tolerância  à  substituição.  Dentre  as  principais  modificações  da  qualidade  de  pães 
elaborados com substituição parcial da farinha de trigo por outros tipos de farinhas, os autores 
destacam: diminuição do volume, alterações na coloração da crosta e miolo, enfraquecimento 
da rede de glúten, alterações na textura, no sabor e no aroma.  

Para  estudos  de  otimização  de  formulação  de  alimentos,  uma  das  ferramentas 

estatísticas  mais  usadas  é  a  Metodologia  de  Superfície  de  Resposta,  em  que  através  de 
planejamentos  experimentais  consegue-se  avaliar  os  efeitos  de  cada  variável  independente 
sobre  as  variáveis  respostas  e  estabelecer  as  melhores  concentrações  dos  ingredientes  na 
formulação do alimento (RODRIGUES; IEMMA, 2014).  

O enriquecimento nutricional e funcional do pão, um dos alimentos mais consumidos 

no  mundo,  com  a  gabiroba  e  subprodutos/coprodutos  do  pequi,  pode  ser  uma  forma  de 
disseminar o uso destes frutos, de grande potencial, mas ainda desconhecidos e inexplorados. 
Ainda,  a  agregação  de  valores  a  esses  frutos  nativos  pode  contribuir  para  a  conservação  do 
bioma Cerrado.  

Conforme exposto, o propósito do presente estudo foi obter uma faixa de concentração 

ideal, utilizando a metodologia de superfície de resposta, para a substituição parcial à farinha 
de trigo, utilizando a farinha da casca de pequi e a farinha da polpa de gabiroba, bem como, a 
substituição  parcial  da  água  por  polpa  de  gabiroba,  a  fim  de  desenvolver  um  produto  de 
panificação com qualidades tecnológicas comparadas a formulação padrão de pão doce.  

 
MÉTODOLOGIA 
 
Obtenção da matéria-prima 

 

Frutos  do  pequizeiro  foram  coletados  na  região  de  Montes  Claros  (18°27'58"S 

43°51'45"W)  –  Minas  Gerais,  Brasil,  enquanto  a  polpa  integral  de  gabiroba,  já  extraída, 
embalada e congelada, foi adquirida da empresa Sítio do Bello Frutas Nativas, localizada em 
Paraibuna (23°22'37"S 45°56'38"W) – São Paulo, Brasil.  

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4

 

Do pequi utilizou-se a casca (exocarpo + mesocarpo externo) e dela obteve-se a farinha, 

uma  das  matérias-primas  alvo  de  estudo,  utilizada  na  elaboração  dos  pães.  O  processo  de 
elaboração da farinha da casca de pequi foi descrito por Cunha et al. (2021). Para a obtenção 
da farinha da polpa de gabiroba, parte das polpas adquiridas foi disposta em formas de alumínio 
e submetida à secagem em estufa a temperatura de 65°C, por 24 horas. Em seguida, o material 
seco obtido foi triturado e peneirado utilizando-se uma peneira de Mesh n° 35, a fim de obter 
uma  farinha  com  granulosidade  homogênea.  As  farinhas  obtidas  foram  seladas  a  vácuo, 
enquanto a polpa de gabiroba remanescente foi mantida na embalagem original de polietileno 
e acondicionada a -18°C até a elaboração dos pães.  

 

Processamento dos pães 

 
Os pães controle foram elaborados a partir de uma formulação básica: farinha de trigo 

(200 g), água (90 g), açúcar cristal (30 g), ovos (30 g), leite em pó (12 g), óleo de soja (10 g), 
fermento biológico (5 g) e sal (4 g). Os pães enriquecidos apresentaram a mesma formulação, 
à exceção da substituição parcial da farinha de trigo, por farinhas de casca de pequi e farinha 
da polpa de gabiroba e de água por polpa de gabiroba. 

Para a formulação dos pães foi realizado o método direto de fermentação, onde todos os 

ingredientes secos foram misturados: farinha de trigo, açúcar cristal, ovos, fermento, leite em 
pó. Depois de homogeneizados, seguiu-se a adição dos ingredientes úmidos: água e óleo. Por 
fim, adicionou-se o sal até o desenvolvimento da rede de glúten ou “ponto de véu”. A massa 
foi misturada  em  batedeira Wallita

®

, com  5 velocidades  e 250W de potência, na velocidade 

máxima por 5 minutos. Posteriormente, a massa foi pesada, dividida, boleada e modelada no 
modelador de pães G.Painz

®

 e levada à câmara de fermentação Klimaquip

®

 (30ºC e ± 90 % 

UR) por 1 hora e 30 minutos. Logo após a massa fermentada foi submetida ao forneamento em 
forno elétrico semi-industrial Prática Techicook

®

, a 150ºC por 20 minutos.  

 

Rendimento das farinhas  

 

O rendimento  das  farinhas  foi determinado de acordo com  a Equação 1,  descrita por 

Santos, Silva, Santos e Oliveira (2010). 

R = 

𝐹

𝑃

 

x100  

 

 

 

 

 

 

 

 

(Eq. 1) 

 
Em que: R: rendimento (%); F = massa de farinha obtida (g); P = massa de polpa e/ou 

casca (g). 

 

Avaliação tecnológica das massas e dos pães  
 
Volume das massas  

 
Porções de massa de aproximadamente 15 g foram colocadas em provetas de 100 mL 

para medição dos volumes das massas durante o processo de fermentação que foi conduzido 
em câmara de fermentação regulada em 30ºC e 90% UR por 1 hora e 30 minutos. Para o cálculo 
do volume produzido (ΔV) utilizou-se a subtração entre o volume final produzido e o volume 
inicial  das  massas  na  proveta,  conforme  Equação  2.  As  medidas  para  cada  ensaio  foram 
realizadas em quadruplicata e os resultados expressos em mL (ZAMBELLI, 2015).  

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5

 

ΔV = V

f

 – V

   

 

 

 

 

 

 

 

(Eq. 2) 

Índice de expansão 

Para  o  cálculo  do  índice  de  expansão  (IE)  foi  utilizada  a  metodologia  descrita  por 

Zambelli  (2015)  e  Machado  e  Pereira  (2010),  com  adaptações.  As  massas  modeladas  foram 
dispostas  em  uma  forma  e  feitas  às  medições  do  diâmetro  e  altura,  utilizando  uma  régua 
milimétrica e um paquímetro digital. A análise foi realizada em quadruplicata. O IE dos pães 
foi calculado por meio da Equação (3) e os resultados expressos em cm².  

𝐼𝐸 =  

(

DP+HP

2

)

(

𝐷𝑚+𝐻𝑚

2

)

  

 

 

 

 

 

 

 

(Eq. 3) 

 
Onde:  D

P

  e  H

P

  =  Diâmetro  e  altura  dos  pães  após  o  forneamento  (cm);  D

M

  e  H

m

  = 

Diâmetro e altura das massas moldadas (cm).  

 

Volume específico 

 
O  volume  específico  dos  pães  foi  medido  segundo  o  método  n°  72-10,  descrito  pela 

AACC (2000) e Machado & Pereira (2010), por meio do preenchimento de um recipiente de 
volume conhecido com sementes de painço. O volume específico foi calculado pela divisão do 
volume deslocado do pão (mL) pela sua massa (g) e os resultados expressos em mL g

-1

.  

 

Densidade 

 
A  densidade  foi  calculada,  em  quadruplicata,  pela  relação  inversa  entre  o  volume 

deslocado (mL) e o peso da amostra assada (g) e os resultados expressos em g mL

-1

 (Machado 

& Pereira, 2010).  

 

Perfil de textura 

 
As variáveis de textura foram determinadas nos pães assados, de acordo com Garzón et 

al. (2017) e Jekle, Fuchs e Becker (2018), em um analisador de textura (modelo TA – XT2i, 
Stable Micro Systems, Reino Unido) usando um teste de dupla compressão de análise de perfil 
de textura (TPA). As fatias de pão com 1 cm de espessura foram comprimidas a 50% da sua 
altura original a uma velocidade de teste de 2 mm s

-1

, com distância de compressão de 5,0 mm; 

intervalo entre os ciclos de 10 s, utilizando uma probe cilíndrica de 36 mm. Para a realização 
do teste foram colocadas duas fatias de pão sobrepostas e a análise de cada ensaio foi realizada 
em quadruplicata. A partir da curva de TPA, foram analisadas as variáveis: dureza, elasticidade, 
coesividade, mastigabilidade e resiliência. 

 

Produção dos pães doces utilizando a metodologia de superfície de resposta 

 

 

 

 

 

Dois  Delineamentos  Compostos  Centrais  Rotacionais  foram  conduzidos  com  duas 

variáveis independentes para determinar as condições ótimas para o desenvolvimento de pães 
doces com parâmetros tecnológicos semelhantes ao pão doce convencional (controle).  
 

 

Os efeitos das variáveis independentes sobre as propriedades da massa e a qualidade dos 

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6

 

pães  foram  estudados  utilizando  um  planejamento  completo  2²,  incluindo  quatro  fatoriais 
(níveis -1 e +1), quatro pontos axiais (níveis ± α) e três repetições no ponto central, totalizando 
11 ensaios realizados em quadruplicata (Tabela 1).  

O  primeiro  planejamento  experimental  foi  realizado  para  avaliar  o  efeito  de  duas 

variáveis independentes: a farinha da casca do pequi (0 a 5%) e a farinha da polpa de gabiroba 
(10 a 20%). O segundo planejamento experimental foi realizado para avaliar também, o efeito 
de duas variáveis independentes: a farinha da casca do pequi (0 a 5%) e a polpa de gabiroba (0 
a 40%). As variáveis respostas foram os parâmetros tecnológicos de avaliação da qualidade da 
massa e dos pães, conforme descrito no item 2.4. 

Tabela 1 –

 Correlação entre níveis codificados e reais das duas variáveis independentes nos dois Delineamentos 

Compostos Centrais Rotacionais (DCCR). 

 

1° Planejamento experimental 

Variáveis 

Níveis 

 

-α 

-1 

+1 

+α 

Farinha da casca do pequi (x

1

0,00 

0,73 

2,50 

4,27 

5,00 

Farinha da polpa de gabiroba (x

2

10,00 

11,46 

15,00 

18,54 

20,00 

2° Planejamento experimental 

Variáveis 

Níveis 

 

-α 

-1 

+1 

+α 

Farinha da casca do pequi (x

1

0,00 

0,73 

2,50 

4,27 

5,00 

Polpa de gabiroba (x

2

0,00 

5,86 

20,00 

34,14 

40,00 

Notas: O valor de ± α corresponde a 1,41. 

 

Para avaliar os efeitos das variáveis nos parâmetros de qualidade das massas e dos pães 

foi utilizada a análise de regressão multivariada, dado pela Equação 4.  Nessa equação estão 
apresentadas de forma genérica, as respostas em função dos coeficientes lineares, quadráticos 
e de interação entre os efeitos (RODRIGUES; IEMMA, 2014). 

 y = β0 + ∑β

iXi 

 + ∑βjXj + ∑βiiXi² + ∑βjjXj² + ∑βijXij   

 

 

(Eq. 4) 

Onde: y são as variáveis respostas, Xi e Xj são as variáveis independentes, β0 é o termo 

constante e βi  e βj  são os coeficientes dos termos lineares, βii e βjj são  os coeficientes dos 
termos quadráticos e βij é o coeficiente dos termos da interação. A significância estatística dos 
termos nas equações de regressão foi examinada por análise de variância, sendo que, o teste F 
(F

cal

>F

tab

)  foi  utilizado  para  verificar  a  qualidade  do  modelo  a  um  nível  de  significância 

estabelecido em 5% (p<0,05) e o coeficiente de determinação superior a 0,7 (R²>0,7).  

Após a obtenção dos modelos ajustados conforme a regressão multivariada de segunda 

ordem,  as  curvas  de  contorno  foram  determinadas,  enquanto  a  validação  dos  modelos  foi 
realizada por meio da repetição do ensaio que mais se aproxima ao valor obtido pelo controle 
e os parâmetros previstos referentes às análises tecnológicas foram comparados com os dados 
experimentais  obtidos.  Para  o  efeito  comparativo,  foi  realizado  o  teste  de  Tukey  a  5%  de 
probabilidade.  

 
Análise estatística  

 
As  análises  estatísticas  foram  realizadas  utilizando  o  software  Statistica

®

  versão  8.0 

(STATSOFT,  2008).  O  teste  de  Scott-Knott  foi  aplicado  aos  resultados  da  matriz  do 
Delineamento  Composto  Central  Rotacional  (DCCR)  para  efeito  comparativo  entre  os 

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7

 

diferentes ensaios e a formulação padrão utilizando o software Sisvar

®

 versão 5.4 (FERREIRA, 

2011).  
  

RESULTADOS E DISCUSSÃO 

 

Rendimento das farinhas 

 
O rendimento da farinha da polpa de gabiroba foi de 10,09%, uma vez que foram obtidos 

242,34 g de farinha com a secagem de 2.400 g de polpa. Já o rendimento da farinha da casca 
de pequi foi de 19,41%, sendo obtidos 220,53 g de farinha a partir da secagem de 1.136 g de 
casca branqueada.  

 
1º Planejamento experimental  
 

Na  Tabela  2  são  apresentados  os  valores  das  respostas  obtidas  quanto  aos  efeitos  da 

substituição parcial da farinha de trigo pelas farinhas da casca de pequi (x

1

) e farinha da polpa 

de gabiroba (x

2

) sobre as propriedades tecnológicas da massa e dos pães elaborados.  

De  modo  geral,  a  partir  das  médias  apresentadas  e  seus  respectivos  desvios  padrão, 

observa-se  que  os  menores  níveis  de  substituição,  entre  as  duas  variáveis  independentes 
estudadas,  conferem  maior  volume  e  índice  de  expansão,  para  as  massas  e  maior  volume 
específico e elasticidade e menor densidade, dureza e mastigabilidade aos pães desenvolvidos 
(Tabela 2). Logo, os menores níveis de substituições entre ambas as variáveis independentes 
conferem resultados mais próximos aos obtidos na elaboração da formulação padrão.  

Somente para as variáveis volume de massa, volume específico e densidade dos pães 

foi  possível  verificar  efeito  significativo  (p<0,05)  das  variáveis  independentes,  com  R

2

>0,7 

(Tabela 4). Embora a dureza e a mastigabilidade tenham sido afetadas, significativamente, pelas 
farinhas, nenhum ajuste foi aceito, em função do baixo coeficiente de determinação (R

2

<0,7). 

Depreende-se,  portanto,  a  partir  das  propriedades  tecnológicas  avaliadas,  que  o  índice  de 
expansão  da  massa  e  a  textura  dos  pães  não  foram  afetados  pelos  níveis  de  substituições 
estudados.  

Os modelos reparametrizados para as variáveis dependentes volume de massa, volume 

específico e densidade dos pães, com as variáveis independentes farinha da casca de pequi (x

1

e farinha da polpa de gabiroba (x

2

), são mostrados nas Equações 5, 6 e 7.  

Volume de massa = 12,796 – 2,313x

1

 – 3,567x

2

 + 2,907x

2

²; R² = 87,77%   

(Eq. 5) 

Volume específico = 1,759 – 0,114x

1

 – 0,188x

2

; R² = 75,23% 

  

 

(Eq. 6) 

Densidade = 0,582 + 0,038x

1

 + 0,065x

2

; R² = 74,40%  

 

     

 

(Eq. 7) 

 
Ao analisar as regressões obtidas, um efeito linear negativo das variáveis independentes, 

farinha da casca de pequi (x

1

) e farinha da polpa de gabiroba (x

2

), é observado sobre as variáveis 

respostas volume de massa e volume específico, assim como, um efeito linear positivo sobre a 
densidade dos pães (Equações 5, 6 e 7). Isso indica que o menor nível de substituição de ambas 
as variáveis independentes proporciona o maior volume de massa e volume específico, com a 
menor densidade nos pães. Os resultados se justificam, visto que o dimensionamento do volume 
da massa e volume específico é inversamente proporcional ao da densidade dos pães, conforme 
a base de cálculo descrito na metodologia de volume específico e densidade.  

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8

 

 

Tabela 2 -

 Delineamento Composto Central Rotacional (DCCR) com valores reais e codificados e teste de Scott-

Knott para efeito comparativo entre os ensaios e a formulação padrão.  

Ensaios 

Farinha 

da casca 
de pequi 

(x

1

Farinha 

da polpa 

de 

gabiroba 

(x

2

Volume 

de 

massa 

(mL) 

Índice de 
expansão 

Volume 

específico 

(mL g

-1

Densidade 

(g mL

-1

Dureza 

(g.f) 

Elasticidade 

(g.f) 

Coesividade 

(g.seg) 

Mastigabilidade  Resiliência 

-1 (0,73)  -1 (11,45) 

20,75 ± 

1,89

0,39 ± 

0,01

2,02 ± 

0,03

0,50 ± 

0,01

2.675 ± 

354

0,90 ± 0,05

0,71 ± 0,03

1.719 ± 228

0,35 ± 

0,03

+1 

(4,27) 

-1 (11,45) 

17,00 ± 

0,82

0,37 ± 

0,01

1,64 ± 

0,14

0,61 ± 

0,05

2.902 ± 

487

0,89 ± 0,04

0,71 ± 0,03

1.837 ± 292

0,34 ± 

0,02

-1 (0,73) 

+1 

(18,55) 

15,25 ± 

1,50

0,37 ± 

0,01

1,53 ± 

0,16

0,66 ± 

0,08

4.000 ± 

391

0,89 ± 0,01

0,70 ± 0,02

2.497 ± 257

0,33 ± 

0,00

+1 

(4,27) 

+1 

(18,55) 

7,75 ± 

0,50

0,37 ± 

0,02

1,39 ± 

0,20

0,73 ± 

0,11

4.023 ± 

826

0,86 ± 0,05

0,68 ± 0,03

2.356 ± 410

0,32 ± 

0,02

a

 

-1,41 (0) 

0 (15) 

15,88 ± 

0,85

0,40 ± 

0,02

1,89 ± 

0,12

0,53 ± 

0,03

3.463 ± 

372

0,89 ± 0,01

0,69 ± 0,01

2.125 ± 233

0,35 ± 

0,01

+1,41 

(5) 

0 (15) 

10,75 ± 

0,65

0,38 ± 

0,01

1,61 ± 

0,08

0,62 ± 

0,03

3.606 ± 

640

0,84 ± 0,03

0,69 ± 0,02

2.077 ± 303

0,33 ± 

0,02

0 (2,5) 

-1,41 (10) 

24,00 ± 

2,35

0,40 ± 

0,01

2,06 ± 

0,18

0,49 ± 

0,04

2.400 ± 

624

0,89 ± 0,02

0,68 ± 0,03

1.449 ± 369

0,34 ± 

0,02

0 (2,5) 

+1,41 

(20) 

14,25 ± 

0,65

0,36 ± 

0,00

1,52 ± 

0,09

0,66 ± 

0,04

4.259 ± 

218

0,81 ± 0,01

0,69 ± 0,02

2.363 ± 137

0,34 ± 

0,01

0 (2,5) 

0 (15) 

16,25 ± 

0,35

0,36 ± 

0,01

1,91 ± 

0,07

0,53 ± 

0,02

4.465 ± 

204

0,83 ± 0,04

0,70 ± 0,01

2.736 ± 221

0,33 ± 

0,01

10 

0 (2,5) 

0 (15) 

10,13 ± 

0,25

0,38 ± 

0,01

1,89 ± 

0,04

0,53 ± 

0,01

3.596 ± 

177

0,89 ± 0,06

0,71 ± 0,03

2.275 ± 262

0,34 ± 

0,02

11 

0 (2,5) 

0 (15) 

12,00 ± 

0,00

0,38 ± 

0,01

1,89 ± 

0,23

0,54 ± 

0,07

3.120 ± 

511

0,86 ± 0,05

0,71 ± 0,04

2.075 ± 21

0,33 ± 

0,02

Pão 

Controle 

30,25 ± 

2,33

0,42 ± 

0,00

2,77 ± 

0,23

0,36 ± 

0,03

1551,16 

± 560

0,98 ± 0,00

0,74 ± 0,02

1.105 ± 353

0,37 ± 

0,02

Notas:  Os  valores  são  médios  (n=4)  ±  desvio  padrão  de  análises  realizadas  em  quadruplicata,  incluindo  a 
formulação padrão. Diferentes letras na mesma coluna apresentam diferenças significativas a um nível de 5% de 
significância (p<0,05). 

Observação:

 Volume de massa e índice de expansão foram determinados na massa antes 

do assamento.    

 

Borges et al. (2011) afirmam que a incorporação de outras farinhas isentas de glúten é 

responsável  pela  baixa  retenção  de  CO

2

  oriundo  da  fermentação,  tendo  como  principal 

consequência  à  redução  do  volume  específico  e  aumento  da  densidade  no  produto,  como 
observado no presente trabalho. Essa interferência também foi constatada por Paz et al. (2015), 
na formulação de pães elaborados com farelo de arroz desengordurado, sendo que os maiores 
níveis  de  substituições  mostraram-se  desfavoráveis  quanto  às  implicações  tecnológicas  da 
massa, principalmente devido à redução significativa no volume dos pães desenvolvidos.  

Dessa forma, a quantidade de ingredientes utilizados na substituição de parte da farinha 

de trigo, bem como a forma do processamento pode influenciar negativamente no volume dos 
pães. A não utilização de melhoradores, bem como o processo tecnológico empregado (método 
direto  de  fermentação  da  massa),  justificam  os  baixos  valores  para  volume  específico  e 
densidade dos pães doces encontrados neste trabalho, que são similares aos relatados por Rocha 
(2007) ao avaliar o efeito da substituição de parte da farinha de trigo por casca e polpa de baru 
na formulação de pães (2,22 a 3,84 g mL

-1

 e 0,22 a 0,57 mL g

-1

, respectivamente). 

Os  resultados  observados  no  presente  trabalho  são  coerentes  com  os  de  Chen  et  al. 

(2019), que ao substituírem 10% da farinha de trigo por farinha de casca de manga observaram 

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9

 

redução das  propriedades  tecnológicas da glutenina, durante o desenvolvimento da massa, o 
que  levou  ao  desenvolvimento  inadequado  da  rede  de  glúten  e  consequentemente  ao  menor 
desenvolvimento no volume da massa, com redução de 15,40% em comparação a formulação 
padrão. Além disso, os materiais fibrosos presentes na farinha da casca de manga tendem a se 
estabelecer em torno da formação da rede de glúten e promover um enfraquecimento da rede 
viscoelástica.    Dessa  forma,  conforme  descrevem  Tsatsaragkou,  Gounaropoulos  e  Mandala 
(2014) e Vilhalva et al. (2011), a redução do volume dos pães e o enfraquecimento da rede de 
glúten  são  fenômenos  geralmente  relatados,  tanto  maiores  quanto  maior  for  à  proporção  de 
substituição  por  farinhas  de  diferentes  fontes  vegetais  e  quanto  maior  for  o  teor  de  fibras 
presentes na composição dessas farinhas.  

Logo, alguns compostos presentes nas farinhas da casca de pequi e polpa de gabiroba 

podem  estar  associados  a  esse  comportamento,  a  exemplo  dos  teores  de  fibras  (dados  não 
mostrados). Os teores de fibras não foram apresentados nos resultados porque o foco principal 
do estudo foi a otimização de parâmetros tecnológicos (volume de massa, volume específico, 
densidade e textura), e não a composição nutricional detalhada das matérias-primas. Valores 
preliminares indicam cerca de 10 a 13% de fibra total na farinha de casca de pequi (Cunha et 
al., 2023; 2025) e 12% na farinha de polpa de gabiroba (Cunha et al., 2025). Conforme visto 
por  Lira  (2017),  ao  aplicar  farinhas  de  cogumelos  (shitake  e  eryngii)  na  produção  de  pães, 
observou  que,  os  teores  de  fibras  presente  nesta  matéria-prima  utilizada  como  ingrediente, 
proporcionou a ocorrência de efeitos indesejáveis nos pães, a exemplo, da redução no volume 
específico – de 2,71 a 1,43 mL g

-1

 para pães elaborados com farinha do cogumelo shitake e de 

3,12 a 1,78 mL g

-1

 para pães elaborados com farinha do cogumelo eryngii – assim como, um 

aumento na absorção de água e menor tolerância ao processo fermentativo da massa.  

Analisando-se o resultado da análise de variância (ANOVA) para os diferentes modelos 

de regressão obtidos para volume de massa, volume específico e densidade, verifica-se que os 
modelos  são  significativos  (p<0,05),  devido  ao  F

calc

  ser  maior  que  o  F

tab 

(F

calc

>F

tab

)  e  a 

porcentagem  de  variação  explicada  pelos  modelos  apresentarem  um  bom  ajuste  (R²>0,70), 
como apresentado na Tabela 3. 

Tabela 3 -

 ANOVA da regressão para a resposta volume de massa, volume específico e densidade. 

 

Volume de massa 

FV 

SQ 

gL 

QM 

F

calc

 

F

tab

 (5%; 3; 7) 

Regressão 

196,85 

65,62 

16,75 

4,35 

Resíduo 

27,43 

3,92 

 

 

Total 

224,28 

10 

 

 

 

Volume específico 

FV 

SQ 

gL 

QM 

F

calc

 

F

tab 

(5%; 2; 8) 

Regressão 

0,39 

0,19 

12,15 

4,46 

Resíduo 

0,13 

0,02 

 

 

Total 

0,52 

10 

 

 

 

Densidade 

FV 

SQ 

gL 

QM 

F

calc

 

F

tab

 (5%; 2; 8) 

Regressão 

0,05 

0,02 

11,63 

4,46 

Resíduo 

0,02 

0,00 

 

 

Total 

0,06 

10 

 

 

 

Notas: 

FV

 Fonte de variação; 

SQ

 Soma de quadrados; 

gL

 Graus de liberdade; 

QM

 Quadrado médio. 

Ao  analisar-se  as  curvas  de  contorno  (Figura  1)  geradas  pelos  modelos  matemáticos 

referentes à variável volume de massa, nota-se que as faixas de substituição de 0,0% a 1,61% e 
10% a 11% de farinha de trigo pelas farinhas da casca de pequi (x

1

) e da polpa de gabiroba (x

2

), 

respectivamente,  refere-se  ao  volume  de  massa  >  26  mL,  equiparável  aos  obtidos  pela 

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10

 

formulação  padrão  (30,25  ±  2,33  mL;  Tabela  2).  Da  mesma  forma,  as  mesmas  faixas  de 
substituição determinaram volume específico > 2,1 mL g

-1

, próximo aos resultados referentes 

ao  volume  específico  da  formulação  padrão  (2,77  ±  0,23  mL  g

-1

;  Tabela  2),  bem  como 

resultaram  nos  menores  valores  relativos  à  densidade  dos  pães  (0,45  g  mL

-1

),  próximos  aos 

encontrados na formulação padrão (0,36 ± 0,03 g mL

-1

; Tabela 2). Portanto, para a obtenção de 

um produto de panificação com qualidade tecnológica comparada à formulação padrão de pão 
doce, pode-se optar em utilizar faixas de substituição que compreendem de 0,0% a 1,61% de 
farinha da casca de pequi (x

1

) e de 10% a 11,5% de farinha da polpa de gabiroba (x

2

).  

Figura 1 -

 Curva de contorno para (a) volume de massa, (b) volume específico e (c) densidade, em função das 

variáveis: farinha da casca de pequi e farinha da polpa de gabiroba. 

Legenda:

 (a) volume de massa: 10 a 26 mL; 

(b) volume específico: 1,4 a 2,1 mL g

-1

; (c) densidade: 0,45 a 0,70 g mL

-1

. Em todos os casos, são os resultados 

médios das variáveis respostas obtidas dos diferentes ensaios experimentais realizados. (Paleta Viridis). 

 
 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Para verificar a validade dos modelos, foi realizado um experimento em quadruplicata 

com  as mesmas  condições da realização do  ensaio  do primeiro ponto  fatorial,  com  base nas 
condições de obtenção do maior volume de massa, volume específico e menor densidade dos 
pães. Dentre os

 

resultados obtidos foram: i) volume de massa médio de 20,00 ± 2,83 mL (exp.) 

e um resultado predito de 21,58 mL, com erro relativo de -7,9%; ii) volume específico de 2,00 

B

 

C

 

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11

 

± 0,05 mL g

-1

 (exp.) e um resultado predito de 2,06 mL g

-1

, com erro relativo de -3,0%; iii) 

densidade de 0,50 ± 0,01 g mL

-1

 (exp.) e um resultado predito de 0,47 g mL

-1

, com erro relativo 

de  6,0%.  Pode-se  observar  que  o  erro  relativo  para  os  modelos  volume  de  massa,  volume 
específico e densidade foram baixos, indicando que o modelo foi validado.  

 

 
2º Planejamento experimental  

 
No segundo experimento foram avaliados os efeitos da substituição parcial da farinha 

de  trigo  pela  farinha  da  casca  do  pequi  e  da  água  pela  polpa  de  gabiroba.  Os  resultados 
referentes à avaliação tecnológica da massa (volume de massa e índice de expansão) e dos pães 
(volume específico, densidade e perfil de textura) em função das substituições (farinha da casca 
de pequi = x

1

 e polpa de gabiroba = x

2

) estão demonstrados na Tabela 4. Utilizou-se a mesma 

formulação padrão adotada no delineamento anterior.  

De forma geral, as substituições promoveram redução do volume de massa e redução 

da densidade e aumento do volume específico dos pães. Os tratamentos com 4,27% de farinha 
de casca de pequi (FCP) e 34,18% de polpa de gabiroba (PG) e 2,5% de farinha da casca de 
pequi  (FCP)  e  40%  de  polpa  de  gabiroba  (PG)  apresentaram  maior  dureza,  embora  a 
mastigabilidade tenha aumentado apenas no tratamento com 4,27% de farinha da casca de pequi 
(FCP)  e  34,18%  de  polpa  de  gabiroba  (PG).  Conforme  Boz  e  Murat  Karaoğlu  (2013),  a 
mastigabilidade é uma variável dependente da dureza e, portanto, ambas, normalmente, seguem 
um mesmo comportamento.  

A partir da análise da estimativa dos efeitos (dados não mostrados), verifica-se que as 

variáveis independentes utilizadas nas formulações dos pães não afetaram significativamente 
(p>0,05) as variáveis respostas volume e índice de expansão da massa, bem como o volume 
específico  e  densidade  dos  pães,  embora  as  variáveis  texturais  tenham  sido  influenciadas. 
Entretanto,  somente  os  ajustes  obtidos  para  dureza  e  mastigabilidade  foram  aceitos,  por 
apresentarem  coeficiente  de  determinação  superior  a  70%.  Logo,  os  seguintes  modelos 
matemáticos reparametrizados foram obtidos (Equações 8 e 9).  

 

Dureza = 1721,156 + 157,320x

1

² + 188,643 x

2

 + 167,270x

1

x

2

; R² = 84,64%  

      (Eq. 8) 

 
Mastigabilidade = 1155,307 + 97,877x

1

² + 111,460x

2

 + 138,947x

1

x

2

; R² = 75,41%    (Eq. 9) 

 
Quanto à dureza do miolo, de fato, os resultados mostraram que a farinha da casca de 

pequi  (x

1

)  e  a  polpa  de  gabiroba  (x

2

)  apresentaram  um  efeito  quadrático  e  linear, 

respectivamente, significativos (p<0,05), influenciando positivamente essas variáveis texturais. 
Mesma condição observada para a interação entre os dois fatores analisados (x

1

 e x

2

) (Equação 

6).  Dessa  forma,  pode-se  predizer  que  o  aumento  no  nível  de  substituição  entre  ambas  as 
variáveis  independentes  promove  um  incremento  significativo  (p<0,05)  na  textura  e 
mastigabilidade  (Equação  7).  Esse  incremento  pode  ser  relacionado  com  a  redução  da 
quantidade de água utilizada no processo de fabricação dos pães.  

O volume e índice de expansão da massa e volume específico e densidade dos pães não 

se alteraram, em comparação ao controle (p<0,05), a despeito das quantidades substituídas de 
farinha da casca de pequi (x

1

) e polpa de gabiroba (x

2

). No entanto, alguns estudos verificaram 

que  o  aumento  do  percentual  de  incorporação  de  suco  de  manga,  de  goiaba,  suco  misto  de 
acerola e manga e polpa de manga Ubá, utilizados para enriquecer nutricionalmente diferentes 
formulações  de  pães  promoveram  uma  redução  no  volume  específico  desses  produtos 

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12

 

panificáveis  desenvolvidos  (AMAYA  et  al.,  2013a;  AMAYA  et  al.,  2013b;  BRASIL,  2017; 
ZAMBELLI et al., 2014). De acordo com Paz et al. (2015), esses resultados são atribuídos à 
descontinuidade  do  glúten,  sugerindo  que  a  incorporação  desses  ingredientes  restringe  o 
desenvolvimento adequado da rede proteica viscoelástica – assim como a redução de parte da 
água,  conforme  visto  neste  estudo  –  podendo  ocasionar  redução  no  volume  da  massa  e 
consequentemente proporcionar um incremento na dureza e mastigabilidade.  

 

Tabela 4 -

 Delineamento Composto Central Rotacional (DCCR) com valores reais e codificados e teste de Scott-

Knott para efeito comparativo entre os ensaios e a formulação padrão.  

Ensaios 

Farinha 

da casca 
de pequi 

(x

1

Polpa de 
gabiroba 

(x

2

Volume 

de 

massa 

(mL) 

Índice de 
expansão 

Volume 

específico 

(mL g

-1

Densidade 

(g mL

-1

Dureza 

(g.f) 

Elasticidade 

(g.f) 

Coesividade 

(g.seg) 

Mastigabilidade  Resiliência 

-1 (0,73)  -1 (5,86) 

25,63 ± 

1,11

d

  

0,40 ± 

0,01

b

  

2,41 ± 

0,02

e

  

0,41 ± 

0,00

b

  

1.847 

± 290

b

  

0,95 ± 0,03

a

   0,75 ± 0,02

a

  

1.323 ± 197

a

  

0,37 ± 

0,02

a

  

+1 

(4,27) 

-1 (5,86) 

22,50 ± 

1,29

e

  

0,40 ± 

0,01

b

  

2,36 ± 

0,15

e

  

0,43 ± 

0,03

b

  

1.637 

± 291

b

  

0,93 ± 0,04

a

   0,68 ± 0,04

a

  

1.034 ± 173

b

  

0,30 ± 

0,02

a

  

-1 (0,73) 

+1 

(34,18) 

17,50 ± 

0,58

g

  

0,41 ± 

0,01

b

  

2,41 ± 

0,13

e

  

0,42 ± 

0,02

b

  

1.902 

± 241

b

  

0,95 ± 0,01

a

   0,73 ± 0,03

a

  

1.310 ± 146

a

  

0,33 ± 

0,01

a

  

+1 

(4,27) 

+1 

(34,18) 

20,38 ± 

1,11

f

  

0,38 ± 

0,01

b

  

2,02 ± 

0,13

f

  

0,50 ± 

0,03

a

  

2.362 

± 317

a

  

0,92 ± 0,06

a

   0,73 ± 0,01

a

  

1.577 ± 125

a

   

0,34 ± 

0,01

a

  

-1,41 (0) 

0 (20) 

27,25 ± 

1,32

c

  

0,40 ± 

0,00

b

  

4,02 ± 

0,13

0,25 ± 

0,01

d

  

2.115 

± 141

a

  

0,92 ± 0,02

0,74 ± 0,02

a

  

1.438 ± 45

0,35 ± 

0,02

a

  

+1,41 

(5) 

0 (20) 

23,88 ± 

1,03

e

  

0,40 ± 

0,01

b

  

3,90 ± 

0,06

c

  

0,26 ± 

0,00

d

  

1.839 

± 261

b

  

0,89 ± 0,04

a

   0,70 ± 0,03

a

  

1.148 ± 118

b

  

0,31 ± 

0,03

a

  

0 (2,5) 

-1,41 (0) 

32,25 ± 

2,22

b

  

0,43 ± 

0,01

a

  

4,49 ± 

0,12

a

  

0,22 ± 

0,01

e

  

1.491 

± 152

b

  

0,97 ± 0,01

0,71 ± 0,02

a

  

1.033 ± 108

b

  

0,33 ± 

0,01

a

  

0 (2,5) 

+1,41 

(40) 

21,50 ± 

1,00

f

  

0,40 ± 

0,02

b

  

4,14 ± 

0,08

b

  

0,24 ± 

0,00

d

  

2.007 

± 339

a

  

0,92 ± 0,04

a

   0,70 ± 0,02

a

  

1.288 ± 219

b

  

0,30 ± 

0,02

a

  

0 (2,5) 

0 (20) 

36,00 ± 

0,00

0,42 ± 

0,03

a

  

4,44 ± 

0,03

a

  

0,23 ± 

0,00

1.569 

± 274

b

  

0,92 ± 0,04

a

   0,74 ± 0,03

a

  

1.066 ± 198

0,33 ± 

0,01

a

  

10 

0 (2,5) 

0 (20) 

27,00 ± 

1,41

c

  

0,42 ± 

0,01

a

  

4,02 ± 

0,15

b

  

0,25 ± 

0,01

1.725 

± 387

b

  

0,92 ± 0,02

0,74 ± 0,03

a

  

1.173 ± 270

0,34 ± 

0,02

a

  

11 

0 (2,5) 

0 (20) 

27,25 ± 

1,26

0,41 ± 

0,01

b

  

3,83 ± 

0,12

c

  

0,26 ± 

0,01

d

  

1.696 

± 147

b

  

0,92 ± 0,02

a

   0,71 ± 0,04

a

  

1.101 ± 122

0,31 ± 

0,04

a

  

Pão 

Controle 

31,50 ± 

1,73

0,40 ± 

0,02

b

  

2,60 ± 

0,18

d

  

0,39 ± 

0,03

1.827 

± 161

1,02 ± 0,14

a

   0,72 ± 0,09

a

  

1.218 ± 205

0,33 ± 

0,06

a

  

Notas:  Os  valores  são  médios  (n=4)  ±  desvio  padrão  de  análises  realizadas  em  quadruplicata,  incluindo  a 
formulação padrão. Diferentes letras na mesma coluna apresentam diferenças significativas a um nível de 5% de 
significância (p<0,05). 

Observação:

 Volume de massa e índice de expansão foram determinados na massa antes 

do assamento.  
 

A ANOVA (Tabela 5) corresponde aos modelos de regressão ajustados para as variáveis 

dureza e mastigabilidade, em função das variáveis farinhas da casca de pequi (x

1

) e polpa de 

gabiroba (x

2

). Verifica-se que os modelos são significativos (p<0,05), devido ao Fcalc ser maior 

que Ftab (Fcalc>Ftab) e a porcentagem de variação explicada pelos modelos apresentarem um 
bom ajuste (R²>0,70). 

Pela análise das curvas de contorno (Figura 2), referente ao modelo obtido da variável 

resposta dureza, para a obtenção de um produto que se assemelha a formulação padrão (1.827 
± 161 g.f; Tabela 5), pode-se optar em utilizar as faixas de substituição que compreendem entre 
1,6%  a  5,0%  de  farinha  da  casca  de  pequi  (x

1

)  e  entre  0%  a  aproximadamente  18%  de 

substituição por polpa de gabiroba (x

2

), uma vez que, tais níveis de substituições compreendem 

resultados  que  equiparam-se  a  formulação  padrão  (1.800  g.f;  Figura  2).  Mesma  condição  é 

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13

 

observada para a variável referente à mastigabilidade do miolo. Desta forma, os menores níveis 
de substituições entre 1,6% a 5,0% de farinha da casca de pequi (x

1

) e até 20% de polpa de 

gabiroba  (x

2

),  determinam  mastigabilidade  de  1.200,00  (Figura  2)  que  mais  se  aproxima  à 

obtida  para  formulação  padrão  (1.212  ±  205;  Tabela  5).  Portanto,  pode-se  optar  em  utilizar 
faixas de substituição que compreendem de 1,6% a 5,0% de farinha da casca de pequi (x

1

), em 

relação à farinha de trigo e até 20% de polpa de gabiroba (x

2

), em relação à água utilizada no 

processo de elaboração dos pães.   

 

Tabela 5 -

 ANOVA da regressão para a resposta dureza e mastigabilidade.

 

Dureza 

FV 

SQ 

gL 

QM 

F

calc

 

F

tab

 (5%; 3; 7) 

Regressão 

549.604 

183.201 

12,86 

4,35 

Resíduo 

99.743 

14.249 

 

 

Total 

649.347 

10 

 

 

 

Mastigabilidade 

FV 

SQ 

gL 

QM 

F

calc

 

F

tab

 (5%; 2; 8) 

Regressão 

235.831 

78.610 

7,15 

4,46 

Resíduo 

76.900 

1.0985 

 

 

Total 

312.732 

10 

 

 

 

Notas: 

FV

 Fonte de variação; 

SQ

 Soma de quadrados; 

gL

 Graus de liberdade; 

QM

 Quadrado médio. 

Para verificar a validade dos modelos, foram realizadas as mesmas condições do ensaio 

do primeiro ponto fatorial (ensaio 1), com base nos resultados obtidos pela formulação padrão, 
para  as  variáveis  dureza  e  mastigabilidade  (Tabela  4).  Dessa  maneira,  os  resultados 
experimentais foram comparados a partir de teste de médias, com os resultados preditos. Dentre 
os resultados obtidos foram: i) dureza de 1.627 ± 152 g.f. (exp.) e um resultado predito de 1.857 
g.f., com erro relativo de -14% e ii) mastigabilidade de 1.247 ± 153 (exp.) e um resultado predito 
de 1.280, com  erro relativo de  -2,7%. Pode-se observar que o  erro relativo para os modelos 
dureza e mastigabilidade foram baixos, indicando que o modelo foi validado. 

 

Figura 2

 - Curva de contorno para (a) dureza e (b) mastigabilidade, em função das variáveis: farinha da casca de 

pequi (x

1

) e polpa de gabiroba (x

2

). 

Legenda:

 (a) dureza: 1.400 a 2.600 g.f; (b) mastigabilidade 1.000 a 1.700 

(adimensional). Em ambos os casos, são os resultados médios das variáveis respostas obtidas dos diferentes ensaios 
experimentais. (Paleta Viridis).  

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14

 

 

CONCLUSÃO 

 

A substituição parcial da farinha de trigo pela farinha da casca de pequi e farinha da 

polpa  de  gabiroba  não  afeta  as  variáveis  analisadas  nas  massas  e  nos  pães,  com  exceção  ao 
volume  de  massa,  volume  específico  e  densidade  dos  pães  –  quanto  menor  o  nível  de 
substituição  da  farinha  de  trigo  pelas  farinhas  desses  frutos  e  seus  coprodutos,  maior  será  o 
volume da massa e menor será a densidade dos pães doces.  

A substituição parcial da água pela polpa de gabiroba e da farinha de trigo pela farinha 

da casca de pequi não afeta as variáveis analisadas nas massas e nos pães, com exceção a dureza 
e mastigabilidade dos pães – quanto menor a substituição da água pela polpa, menor a dureza e 
mastigabilidade dos pães doces.  

As  faixas  ideais  de  substituição  de  farinha  de  trigo  por  farinha  da  casca  de  pequi  e 

farinha da polpa de gabiroba compreendem de 1,61% a 5,0% e 10% a 11,5%, respectivamente, 
e a substituição de água por polpa de gabiroba, até 20%. 

 

 
FOMENTO 

 

Os  autores  agradecem  a  CAPES  (PROCAD  88881.068456/2014-01),  ao  CNPq 

(PQ304413/2016-0) e a FAPEMIG (PPM-00355-17) pelo aporte financeiro. 

 

 
REFERÊNCIAS  

 

 AACC. 

Approved methods of the American Association of Cereal Chemists

 (10

th 

edition). St. Paul, Minessota: American Association of Cereal Chemists, 2000. Disponível 
em: https://www.scirp.org/reference/ReferencesPapers?ReferenceID=1488371. Acesso em: 
05 out. 2024.  
 
ABIP. 

Indicadores da panificação e confeitaria 2018.

 Disponível em: 

https://www.abip.org.br/site/tendencias-de-mercado-e-indicadores-2018/. Acesso em: 05 out. 
2024.  

ALMEIDA, A. B.; SILVA, A. K. C.; LODETE, A. R.; EGEA, M. B.; LIMA, M. C. P. M.; 
SILVA, F. G. Assessment of chemical and bioactive properties of native fruits from the 
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Recebido em 08/10/2024 

Publicado em 31/03/2026